Portinhas: uma experiência intimista focada na conexão com a comida

O cenário gastronômico de São Paulo é conhecido pela sua diversidade de sabores, ingredientes, especiarias e, principalmente, de restaurantes. Sejam culinárias típicas ou pratos aclamados, a capital paulista está repleta de experiências culinárias para todos os gostos – especialmente para quem está aberto a descobrir novos sabores e lugares.

Entre os tradicionais e novos restaurantes, surge uma onda de comércios pequenos, focados na experiência e seleção de alimentos: as chamadas “portinhas”.

Com espaços reduzidos, a dinâmica desses ambientes favorece o contato direto com quem produz, tornando o atendimento e experiência mais intimista . A proposta das portinhas favorece a conexão com o cliente que, consequentemente, se expande para o alimento.

Para entender como surgiu essa onda que se espalha por São Paulo, e por que esse lugares são importantes para a cena gastronômica, Paladar conversou com Rafael Scarpa, idealizador e criador do aplicativo “Guia das Portinhas”, que mapeia os comércios em todas as regiões da capital.

Rafael Scarpa, idealizador e criador do aplicativo “Guia das Portinhas”
Rafael Scarpa, idealizador e criador do aplicativo “Guia das Portinhas”

São Paulo, que é conhecida pelo seu tamanho e grandiosidade, inclusive de restaurantes, tem apostado cada vez mais em lugares pequenos. Na sua opinião, de onde nasce essa necessidade de abrir as “portinhas”?

Acredito que as pessoas estão buscando cada vez mais o artesanal e desenvolvendo um entendimento maior sobre alimento e ingredientes.

Uma característica das portinhas – que acredito ir na contramão de outros espaços maiores – é elas mostrarem os bastidores, como escolhem os fornecedores e a atenção em todos os passos. Isso faz com que as pessoas queiram participar deste movimento, seja abrindo um espaço ou consumindo dele.

Em meio a tanto barulho e pressa, por que esses lugares silenciosos e discretos tocam tanta gente?

Para mim, a cidade está cada vez mais barulhenta e caótica, então estes espaços acabam sendo um refúgio, um espaço de acolhimento e de calma na rotina. As visitas às portinhas sempre são para recarregar as baterias.

Na sua visão, por que as pessoas estão cada vez mais abrindo comércios pequenos, como as portinhas? O que acha que tem por trás dessa tendência?

Vejo as portinhas como uma tentativa de explorar mais o que a pessoa já sabe fazer, mas com um custo mais baixo.

Assim, as portinhas vem com um investimento um pouco mais baixo comparado com uma outro espaço físico maior.

Ao longo dos anos, houve alguma história envolvendo as “portinhas” que mais te impactou?

Todas, na verdade. Quando você escuta as histórias de como esses espaços surgiram, muitos dos proprietários contam que faz parte de um sonho – não só de empreender, mas de uma vida fazendo aquilo que gosta. É muita paixão envolvida no processo

Então cada portinha, literalmente, é sempre uma surpresa e um bom espaço para ouvir boas histórias.

Como surgiu a ideia de criar o aplicativo “Guia das Portinhas”? Teve algum momento específico que acendeu essa ideia?

Além de empresário, eu crio conteúdo pelo perfil SPlovers. Lá postei uma sequência de fotos indicando 9 portinhas para conhecer na cidade – e esse post tomou grande proporção, furando a bolha.

Depois de publicar mais de seis posts com indicações, eu já estava mais próximo dos proprietários e criando relação. Com isso, quis fazer algo por eles usando minha base de seguidores.

O Guia surgiu como folheto físico em 2024, e agora em 2026, temos a versão do app com mais de 100 portinhas e cantinhos cadastrados (todo mês entram novos) de vários segmentos, entre eles estão: alimentação, cuidados pessoais, livrarias e até mesmo estúdios de tatuagem.

O que o usuário irá encontrar no aplicativo “Guia das Portinhas”?

O app, “Guia das Portinhas”, reúne diversos estabelecimentos, como comércios de bairro e negócios locais, mas também traz as melhores portinhas de todas as regiões da cidade com mapa interativo, roteiros e ainda, cupons.

Todos os espaços presentes no aplicativo liberaram um cupom que pode ser utilizado na portinha para garantir uma boa primeira visita. Assim, a pessoa pode comprar um cookie e levar outro, ou até, comprar uma pizza e levar outra.

É como se fosse um clube de benefícios do comércio local e de rua de SP.

Guia das portinhas por São Paulo: conheça essa onda que se espalha pelas ruas da capital

TQ SÃO PAULO 22.04.2026 PALADAR CADERNO 2 Matéria sobre as
TQ SÃO PAULO 22.04.2026 PALADAR CADERNO 2 Matéria sobre as "portinhas" de SP. Janela de entrega rápida da Casa do Porco, com os sanduíches que saem da janelinha. Sanduíche de porco, misto quente e torresmo. Foto Tiago Queiroz/Estadão

De comida japonesa a pizza, vinho, passando por soft cream e sanduíches, veja como estabelecimentos pequeninos - na linha porta/calçada apostam na experiência e criatividade para atrair o público

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