Sorvete, sanduíche e padaria: novidades gastronômicas da Galeria Metrópole
Uma padaria artesanal é vizinha de uma sorveteria com sabores do Norte e Nordeste do Brasil. A primeira pronta para receber os fregueses dispostos a encarar uma xícara de café com uma fatia de bolo de milho com muito queijo da Serra da Canastra. A outra, com um cardápio de sabores que vão do cajá à tapioca. As segundas unidades da padaria Na Fila do Pão, do chef Diêgo Penido, e da sorveteria Cangote, do sorveteiro Anderson Boeira são as novidades mais recentes no cenário gastronômico da Galeria Metrópole, no Centro de São Paulo.
As duas casas, vizinhas de parede, abriram as portas juntas no início de abril e entram oficialmente no “combo” de novidades da galeria que até pouco tempo tinha uma praça de alimentação praticamente exclusiva de restaurantes por quilo e estabelecimentos especializados em um bom comercial na hora do almoço. O cenário começou a mudar no embalo do público que passou a frequentar os corredores da galeria atrás de livros, camisetas e objetos de decoração.
Cena renovada também na comida
Os PFs continuam lá. De um ano e meio pra cá, porém, casas como o Tucupi do Centro, a padaria La Baguette e a Sanduteca, além das duas casas citadas no início deste texto, trouxeram uma bem-vinda renovação à cena gastronômica da Galeria Metrópole.
Mas por que, afinal, essas casas têm escolhido o icônico edifício modernista, criado originalmente como um centro comercial e cultural, e que atualmente funciona como um polo da economia criativa?
O chef Diêgo Penido, da padaria Na Fila do Pão, diz ter uma relação de muito carinho com a galeria: “Um dos primeiros apartamentos que aluguei em São Paulo era aqui perto, isso há 15 anos”, lembra. “Sou designer de formação, sempre tive uma relação especial com arquitetura, tanto que a minha primeira loja ia ser aqui, mas na época não deu certo por questões logísticas”.
Tudo junto e misturado
Na casa recém-inaugurada, Diego serve bolos, como o gelado de abacaxi com limão, milho com queijo mineiro e vegano de banana, além de brioches, canelles e pães de fermentação natural. Sobre o convívio com a vizinhança de andar, constituída basicamente de restaurantes por quilo, Diêgo diz ter muito a aprender com lugares que já estão no local há mais de 20 anos, caso do Alecrim, que serve comida caseira.
“Tem espaço para todos os públicos aqui, isso é muito bacana”, acredita Diêgo. “Tanto que em breve também teremos nosso próprio PF à moda mineira, inspirados nos mexidinhos de Minas”.
A sorveteria Cangote, capitaneada por Anderson Boeira e que já conta com uma unidade na Vila Buarque, é vizinha de parede da padaria e Diêgo Penido. A casa trabalha com 10 sabores que variam conforme a sazonalidade dos ingredientes e a estação do ano. Sorvete de cajá, nata goiaba e tapioca entram na lista dos mais pedidos na casa - todos inspirados nos sabores do Norte e do Nordeste do nosso país.
“Moro em São Paulo há 14 anos e acho o centro da cidade um lugar muito impactante, especialmente para quem vem de fora”, conta Anderson. “Quando você chega no centro tem uma coisa meio romântica e meio assustadora ao mesmo tempo”.
O sorveteiro vê a migração gastronômica para o centro da cidade como um movimento que veio para ficar: “Já vi muita oscilação nesses anos todos de São Paulo, mas agora a coisa parece que vai vingar pra valer”.
Do tucupi ao sanduba coreano
Fábio Luiz de Lima e Mariano Raphael Figueira abriram a Sanduteca no final de 2025. Começaram sua história na galeria já causando um impacto visual no andar térreo da galeria. A loja, que parece saída diretamente do Pinterest, é toda azulejada, tem um projeto bastante contemporâneo e iluminação exuberante.
O cardápio de sanduíches da casa chamou imediatamente a atenção dos passantes locais. Lanches como o Frango Frito Coreano (sobrecoxa de frango, molho agridoce coreano, coleslaw de kimchi, picles de pepino e maionese gachujang servido no brioche) e o Cubano (pernil de porco desfiado, presunto frito, provolone, picles de pepino, coleslaw e sourdough) são os responsáveis diretos pelas filas que têm se formado na Sanduteca aos finais de semana.
O cardápio de sanduíches da casa é enxuto, há apenas 3 opções de sobremesa e a grande atração na carta de bebidas é o Papelón con limón: limonada à moda venezuelana, adoçada com rapadura.
“Quando abrimos em dezembro, o nosso foco era público das lojas de design locais”, explica Fábio, que trouxe a inspiração dos sabores dos lanches produzidos na casa das temporadas em que trabalhou como chef em países como China, Austrália e França. “Escolhemos o sanduíche por ser uma comida de apelo universal”.
O Tucupi do Centro já completou um ano de portas abertas na Galeria Metrópole. O diferencial da casa é o foco na culinária do Acre. Açaí “de verdade”, tacacá, croquete de carne de sol e bolinho de pirarucu estão no cardápio do restaurante que também serve PF de carne de sol com arroz, feijão e macaxeira.
A simpática cafeteira Lugar, no segundo andar da Metrópole, é outra loja que abriu as portas recentemente. Serve café com receitas de família: cheesecake de chocolate, cookie, brigadeiro e bolos caseiros.
Enquanto a padaria artesanal La Baguette, do padeiro Herbert Bierwagen, também no segundo andar, é o point gastronômico da galeria mais viralizado nas redes. O lugar conquistou a clientela local pelos preços amigos e baguetes de longa fermentação natural recém-assadas e com duas opções de recheio: linguiça, queijo e pesto ou tomate, queijo e pesto. Os preços variam de R$ 13,90 a R$ 15 reais, acreditem... Se sobrar espaço para um docinho depois do sanduíche, o brownie de chocolate com cranberry é pedida certa.
Nova onda gastronômica
Herbert é um veterano, quer dizer... visionário na nova onda gastronômica da Galeria Metrópole. Abriu a padaria há oito anos. Mas começou a fazer os famosos sanduíches abertos à moda romana há dois anos. Sempre trabalhando sozinho e confiando no lucro pelo volume e não pelos preços praticados em seu estabelecimento. Bingo! Para viralizar nas redes foi um pulo: comida boa e com preço amigo, como não desejar loucamente?
O “hype” da La Baguette já tem um ano. Em um único dia são vendidos 560 sanduíches. E de único funcionário da casa, Herbert passou a ter a companhia de mais três pessoas na produção. Mesmo assim, segue trabalhando das 12h até as 3 da madrugada, quando finaliza os pães e as bases dos sanduíches que serão servidos no dia seguinte.
“Escolhi montar a padaria aqui porque sempre olhei para este lugar como um ambiente legal demais para ficar vazio, foi feeling mesmo", conta. “Desde que cheguei na Metrópole foram mudanças, a galeria ganhou vida; antes as pessoas não subiam nem ao primeiro andar, hoje percorrem a galeria inteira e trazem as crianças para passear no fim de semana”. E conclui: “o centro ganhou uma nova importância, as pessoas estão olhando este lugar com outros olhos.”
Galeria Metrópole: Av. São Luís, 187, República
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