Kakuzui Matsui, ícone da culinária japonesa de SP, morre aos 54 anos
Kakuzui Matsui, conhecido como Kaku-san e um dos grandes nomes da culinária japonesa e familiar no Brasil, faleceu nesta segunda-feira, dia 13 de abril, aos 54 anos, em São Paulo. Ele comandava o Kidoairaku, reduto tradicional e celebrado na Liberdade, região central da cidade. Segundo familiares e amigos, ele estava adoecido havia três anos, mas permanecia trabalhando até não resistir nessa última madrugada.
“Dono de técnicas apuradas da melhor cozinha quente japonesa, Kaku san não gostava de ser chamado de chef. Ele acreditava que a boa culinária não precisava ser autoral. Tinha que ser honesta, com comida preparada com esmero e que remetesse a lembranças de um momento feliz”, definiu Jo Takhashi, autor de livros sobre gastronomia e produtor cultural e um dos nomes bem importantes da gastronomia oriental.
O Kidoairaku, que completou 36 anos em 2026, é comandado em uma estrutura familiar e tinha Kaku-San como um dos epicentros. Os chefs, sempre que consultados, apontam o Kidoairaku como um dos melhores locais de comida típica japonesa, em que não existe rodízio e o clima de família surge desde a entrada até as finalizações, com pedidos anotados à mão.
“Pra mim, ele é um dos nomes que fez diferença na cultura gastronômica do Brasil. Foi a mãe dele que criou o Kido e ele, ao lado do irmão e do sobrinho continuaram esse legado”, contou Yasmin Yonashiro, consultora em hospitalidade japonesa especializada em sake. “Foi bebendo com ele, inclusive, que tive a oportunidade de me aproximar do seu grande objetivo. Fazer uma culinária autêntica e com muito coração”, diz ela que desde 2010 tinha uma relação bem próxima “como de família mesmo.”
Na foto abaixo, está o retrato mais recente da estrutura do Kidoairaku, feito por Paladar, que encontrou lá um dos melhores hambúrgueres de SP. e conseguiu fazer o registro.
Na imagem, em ordem, estão Ayaka Sato, Hiroka Matsui Sato, o mestre de frios Alexandre Kazuhide Ooyama, Leo Yuto Sato, Luciana Iijima Matsui e o mestre de cozinha quente, Kakuzui Matsui.
‘Conseguiu a fotografia no esforço’ porque, como conta Jo Takahashi, Kaku-san era avesso às fotos e às entrevistas. Em seu perfil @jojoscope, Takahashi inclusive o chamou carinhosamente de “lobo solitário”. - a única foto sozinho que ele permitiu foi a Jo usou no livro “Izakaya: por dentro dos botecos japoneses” (Melhoramentos, 2014)
Kaku-san ficou conhecido por ter feito como ninguém uma das maiores provas de fogo da culinária oriental: o Gohan perfeito. Outra iguaria marcante e muito conhecida por ser “sem igual” é a berinjela fatiada e tostada com missô
Ao longo dos anos, o Kidoairaku sempre apareceu nas listas de Paladar, como um dos melhores locais para desfrutar da verdadeira comida japonesa. Há mais de 3 décadas, o local começou em um espaço apertado e já enfeitou suas paredes com as folhas de papel com os pedidos dos clientes.
Hoje está maior, em uma estrutura mais moderna, preços mais salgados, mas a tradição foi mantida com apoio das mãos de Kakuzui Matsui.
“Ele era fantástico mesmo. Hoje, ah, hoje eu vou beber por ele”, promete Yasmin, em um declaração emocionada sobre o gênio da culinária oriental.
Leia na íntegra o que Jo Takahashi deixou como homenagem a Kakuzui Matsui;
KAKUZUI MATSUI, ou Kaku san para os íntimos, foi o último samurai-cozinheiro forjado no Japão que atuou na cena gastronômica paulistana. A passagem de Kaku san encerra um ciclo, marcado por atuações de cozinheiros japoneses, chamados de shokunin, ou artesãos.
Dono de técnicas apuradas da melhor cozinha quente japonesa, Kaku san não gostava de ser chamado de chef. Ele acreditava que a boa culinária não precisava ser autoral. Tinha que ser honesta, com comida preparada com esmero e que remeta a lembranças de um momento feliz. Sem pirotecnia, sem disfarce e diga-se também, sem holofote.
Por isso seu lugar era sempre na cozinha. Nunca passava de mesa em mesa, cumprimentando clientes. Recusava entrevista e fotos. Aliás, a única foto que ele permitiu foi a que usamos no livro “Izakaya: por dentro dos botecos japoneses” (Melhoramentos, 2014). Familiares nos procuraram hoje pedindo a cessão da foto. Será utilizada no velório. Uma honra para nós.
Como será o novo ciclo da boa gastronomia japonesa no Brasil, agora definitivamente órfão de cozinheiros shokunin com saberes trazidos do Japão? A esperança está no legado deixado por eles, para os seus herdeiros de cozinha. E a recriação que pode gerar surpresas a partir dessa herança.
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