Doce premium blindados do ‘efeito Mounjaro’ na gastronomia? Veja as tendências

Existe uma ala da gastronomia que vem sentindo um efeito colateral diferente com disseminação do uso das canetas emagrecedoras. O chamado “efeito mounjaro” - que já chegou 61% dos bares e restaurantes segundo levantamento feito pela Abrasel - parece pegar diferente a confeitaria e nos doces mais sofisticados. Em vez de diminuir o consumo, a aposta é que ele pode até impulsionar o setor.

Com base no efeito que já sentiu em seus clientes, o confeiteiro César Yukio - campeão do Masterchef Confeitaria, por exemplo, acredita mesmo que os doces mais premium serão favorecidos.

“Ao que parece, as pessoas estão deixando de comer algo que seja industrializado, ultraprocessado, e estão procurando produtos mais premium, sabores novos, doces mais leves. A gente percebeu que teve uma procura muito maior desse tipo de público (usuário de medicações voltadas ao emagrecimento)”, contou Yukio.

César Yukio avalia o impacto das canetas emagrecedoras na confeitaria
César Yukio avalia o impacto das canetas emagrecedoras na confeitaria

“Quem faz uso de caneta tem o apetite bastante reduzido, mas o doce é uma coisa que ainda desperta vontade. Então você sempre tem ali aquele espacinho, economiza no salgado na refeição para ter o doce garantido”, complementa ele dizendo que o que mudou é a versão menor de doces, para que a pessoa consiga provar mais sabores.

“Em vez de fazer, por exemplo, uma eclair grande, sei que a pessoa hoje vai preferir comer três mini eclairs variadas”.

Uma das tendências é ter doces em versão reduzidas para aproveitar mais sabores
Uma das tendências é ter doces em versão reduzidas para aproveitar mais sabores

Consulta interna da Lindit, produtora de chocolates, por exemplo, mostrou que os chocolates premium da marca tiveram inclusive um aumento de consumo por parte dos usuários dos medicamentos GLP-1, comercializados como apoiadores do emagrecimento.

Segundo o levantamento que Paladar teve acesso, os produtos mais nobres da marca tiveram um aumento de 17% das vendas entre os usuários as das medicações em 2025.

A análise foi feita nos EUA e a interpretação é que por serem encarados como “recompensa” não houve queda conforme o esperado - diferentemente do que ocorreu com as bebidas alcóolicas, por exemplo.

Chocolate amargo
Chocolate amargo

O confeiteiro Lucas Corazza também projeta que os doces artesanais, produzidos em confeitarias, ganham mais espaço na esteira da popularização dessas medicações que - vale sempre lembrar - precisam de indicação médica, não podem ser usadas de forma recreativa e exigem acompanhamento especializado.

Leia aqui sobre mounjaro e a saúde

“As chamadas canetas emagrecedoras estão alterando, sim, a forma como as pessoas comem doces. Hoje, ainda é comum o hábito de ir ao supermercado, comprar ultraprocessados e até estocar em casa”, disse Corazza. “Mas as canetas podem trazer uma mudança nisso, nesse consumo em que o açúcar é atrelado a satisfazer um desejo, uma carência. Porque na confeitaria, você está andando na rua, para, compra um doce, aproveita o momento de prazer, segue a vida. Não estoca em casa, é uma relação diferente.”

Lucas Corazza, confeiteiro
Lucas Corazza, confeiteiro

Carole Crema, confeiteira, também diz que em seus espaços ainda não sentiu nenhum mudança efetiva, apesar de já se preparar para fazer doces em variações menores. Mas endossa que seu ramo pode inclusive ser mais valorizado na era pós-mounjaro.

“O doce tem uma coisa, ele não é um alimento de todo dia, de toda hora. Então, quando a pessoa se propõe a comer um, a tendência é que ela escolha algo que realmente vale à pena. Pode ser um tamanho menor, uma porção menor, mas tem que valer” diz ela.

Nesse contexto, os chefs confeiteiros podem, sim, estar mis blindados do “efeito mounjaro” à mesa.

(Colaboraram Maria Clara Polcan e Chris Campos)



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