Chef cria menu inspirada na obra de Tom Jobim com ingredientes da Mata Atlântica
A obra de Tom Jobim, marcada por referências à natureza e à Mata Atlântica, ganha uma nova interpretação fora da música: à mesa. Servida na Delí Garage, no Butantã, zona oeste de SP, o jantar “Visão do Paraíso” propõe uma imersão que traduz, em pratos e ambientação, o universo criativo do compositor.
Assinado pela chef Fernanda Valdivia, o menu parte de um princípio central: revisitar as composições de Jobim sob a ótica da natureza que as inspirou.
Ele trazia conceitos muito inéditos para a época, como ecologia, preservação e o uso de frutos nativos. Quando revisitamos as músicas com esse olhar, muitas metáforas ganham outro sentido
Fernanda Valdivia, chef da Delí Garage
Natureza, música e experiência
O percurso gastronômico é construído a partir de ingredientes brasileiros e referências diretas a canções do compositor. O menu inclui etapas como “Águas de Março”, com ervas e sementes da Mata Atlântica, e “Passarim”, um arroz meladinho de galeto. Já em “Correnteza”, o ingá, fruto nativo citado na música, ganha protagonismo em um sorbet servido com licor artesanal e merengue feito da própria semente desidratada.
A escolha do ingrediente, segundo a chef, surgiu de forma quase intuitiva. Durante o período de pesquisa, Valdivia estava na fazenda Bananal, em Paraty, justamente na época da safra do ingá. “Colhi cerca de 60 quilos e trouxe para São Paulo para testar técnicas. Foi um processo muito experimental”, conta.
Mais do que o cardápio, a proposta envolve a construção de uma experiência completa. A cenografia remete aos anos 1960, período de efervescência criativa de Jobim, com elementos que fazem alusão à sua vida pessoal. A trilha sonora, elaborada pelo músico Daniel Setti, mistura gravações originais, interpretações, versões instrumentais e trechos de entrevistas.
A ideia é transportar o público para o universo do compositor, reforçando a conexão entre música, memória e paisagem natural.
Do clássico à releitura
Entre os pratos, a sobremesa “Dindi” se destaca como uma das sínteses mais diretas entre gastronomia e obra musical. Inspirada no clássico francês Mont Blanc, a releitura brasileira substitui o marron glacé por pinhão glacê e faz referência ao Monte Dindi, morro que ficava próximo ao sítio de Jobim e que deu origem à canção homônima.
O prato ainda leva chantilly de caramelo de missô e gel de maçã verde, criando um contraste entre tradição europeia e ingredientes nacionais.
Temporada e continuidade
O menu “Visão do Paraíso” deve permanecer em cartaz até maio. Na sequência, a casa pretende lançar uma nova temporada inspirada no Cerrado, ampliando a proposta de explorar biomas brasileiros por meio da gastronomia.
Após o período em cartaz, os menus passam a integrar o portfólio de experiências disponíveis para eventos fechados. Grupos podem reservar o jantar para até 12 pessoas, escolhendo entre as edições já desenvolvidas, incluindo três menus criados anteriormente com base na Mata Atlântica.
A proposta, segundo a chef, é transformar a cozinha em um espaço contínuo de pesquisa e narrativa, onde ingredientes, território e cultura se encontram.
Serviço
Deli Garage — Rua Medeiros de Albuquerque, 325, São Paulo
Valor: R$ 700,00 (com harmonização)
Reservas: (11) 3819-3998
from Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://ift.tt/7zQakN0
via IFTTT

Comentários
Postar um comentário