Chef estrelado revela onde comer no Porto

Vasco Coelho Santos tem uma cozinha de pedigree, mas sem amarras. Antes de abrir o Euskalduna Studio, no Porto, passou por casas do calibre de Mugaritz, Arzak e El Bulli. Hoje, com uma estrela Michelin, dispensa a solenidade da alta gastronomia sem abrir mão do rigor. Os fregueses se acomodam diante da cozinha, acompanham o vaivém dos cozinheiros e entram na conversa. O menu tem algo de omakase, mas não se prende ao Japão nem a qualquer outra geografia. Há peixes maturados, muitos vindos dos Açores, brasa, fumaça, condimentos atrevidos e uma liberdade criativa que não perde o sabor de vista.

Euskalduna Studio em Porto
Euskalduna Studio em Porto

Até um quadrinho do Kotori, restaurante japonês de São Paulo, ganhou uma versão no Euskalduna, de tanto que Vasco gostou do original. A curiosidade ajuda a entender seu apetite pela cozinha alheia.

Quando tira o avental, o chef sabe onde encontrar uma francesinha caprichada e os “cachorrinhos”. Seu mapa de gulodices inclui ainda uma escapada a Amarante, para comer cabidela a caminho do expediente no Douro. Veja as dicas dele – e o que é imperdível em outras casas suas:

Kaigi

Em um bairro residencial, longe da agitação turística, Vasco mantém uma tasca japonesa com balcão em U. Entre sushis e petiscos, vale guardar espaço para o mochi, uma panquequinha de queijo da ilha e geleia da estação. Fecha-se com os dedos e come-se em duas ou três boas mordidas.

Vasco no Time Out Market

Crocante e douradinha por fora, macia e cremosa por dentro, a rabanada de Vasco já foi eleita repetidas vezes a melhor de Portugal. Feita à moda antiga, com fatias de pão embebidas em leite e ovos antes de colorirem na frigideira, pode ser provada no balcão do chef no Time Out Market Porto, instalado na Estação de São Bento.

Francesinha Café

Classicaço do Porto, a francesinha é um sanduíche de pão de forma recheada de carnes, coberta de queijo derretido, ovo frito e um generoso banho de molho quente. Na casa de Fernando Lopes Cardoso, o capricho começa pelo bife de filé-mignon, sempre no ponto, e chega ao molho encorpado, sedoso, ligeiramente picante, aperfeiçoado há mais de 40 anos e que leva um dia inteiro para ficar pronto. Até a gema do ovo permanece intacta sob o queijo. Só um aviso: sem reserva, melhor nem arriscar – é garantia de dar com a cara na porta.

Cervejaria Gazela

No balcão original de apenas 13 lugares, podem sair até mil cachorrinhos – o hot-dog local – num dia. São baguetes fininhas, tostadas com manteiga, recheadas de linguiça, salsicha fresca e queijo flamengo, mais um molho secreto. Cortados em pedacinhos a golpes circenses de samurai, ficaram ainda mais famosos depois da visita de Anthony Bourdain, em 2017.

Padaria Ribeiro

Fundada em 1878, a padaria é parada certa para Vasco matar a vontade de um croissant à moda do Porto. Esqueça as camadas estaladiças do francês, ele lembra muito mais uma medialuna argentina, bem amarelinha. Trata-se de massa tipo brioche, macia, amanteigadésima e coberta por uma calda brilhante. Vai bem purinha com café, mas é popular também com queijo e presunto.

Torto

Num casarão antigo, uma equipe jovem prepara coquetéis com técnica, criatividade e uma boa dose de irreverência. Sob a orientação de José Mendes, vencedor do World Class, uma das competições mais prestigiadas da coquetelaria, o bar recebe bartenders convidados e DJs. Lugar de saideiras memoráveis, garante Vasco.

The Largo

Vasco brinca que, se pudesse, moraria neste hotel. Ou, pelo menos, apareceria todo santo dia para o “pequeno almoço”, sobretudo pelos croissants fresquinhos e estaladiços. Discreto na entrada, marcada apenas por uma porta verde, o The Largo ocupa cinco edifícios dos séculos 15 a 17, convertidos em apenas 18 suítes. Os interiores são do estúdio dinamarquês Space Copenhagen, há obras de arte espalhadas pelos ambientes e um serviço personalizadíssimo, que inclui até os rótulos na adega do quarto.

Casa Ventura

A caminho do expediente no Seixo by Vasco Coelho Santos, na Quinta do Seixo, no Douro, o chef tem uma parada de estimação em Amarante. Escondida em Telões, sem letreiro que anuncie o que se come lá dentro, a Casa Ventura atravessa mais de um século nas mãos da mesma família. Hoje, Antónia e Luísa preparam, em panelões e somente sob encomenda, um arroz de cabidela como outrora: galinha cozida com arroz, cujo sangue, misturado ao vinagre, dá ao prato a cor escura, a textura untuosa e aquela acidez tão particular. Tem direito até à crista da ave. Uma trabalheira deliciosa que não se resolve de última hora!

Onde: Rua do Castanheiro Redondo, 1228, Telões, Amarante



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