Quatro anos sem Elizabeth II: o que a rainha gostava de comer?

Nem mesmo a mudança de residência real impedia Elizabeth II de terminar seu bolo de chocolate favorito. Se restasse alguma fatia no Palácio de Buckingham, a sobremesa seguia de trem até o Castelo de Windsor, a 32 km de distância, para voltar à mesa. O chef Darren McGrady, que cozinhou para a rainha entre 1982 e 1993, contou que ele próprio fazia o trajeto com o bolo dentro de uma lata, apoiada sobre os joelhos, com a sobremesa já pela metade.

Neste 8 de setembro, quando se completam quatro anos da morte de Elizabeth II, os relatos do cozinheiro ajudam a conhecer suas preferências longe dos banquetes oficiais. Os cinco hábitos a seguir foram descritos por McGrady em entrevistas e vídeos sobre o período em que trabalhou para a monarca.

Elizabeth II gostava especialmente de chocolate amargo, contou Darren McGrady, que cozinhou para ela por 11 anos
Elizabeth II gostava especialmente de chocolate amargo, contou Darren McGrady, que cozinhou para ela por 11 anos

1. Chocolate, de preferência amargo

“Quanto mais escuro, melhor”, resumiu McGrady em entrevista à CNN sobre o gosto de Elizabeth II por chocolates. O amargo é a base do chocolate biscuit cake, que o chef descreveu como o bolo preferido da rainha no chá da tarde. Preparado sem forno, o doce leva pedaços de biscoito Rich Tea, que dão crocância à mistura, e recebe cobertura de chocolate. Segundo McGrady, a sobremesa voltava à mesa até acabar. Se a rainha mudasse de residência nesse intervalo, as fatias restantes seguiam com o cozinheiro para serem servidas novamente.

Foi nos chás com a avó que o príncipe William tomou gosto pelo bolo, contou o chef. A preferência chegou à festa de casamento: em 2011, o chocolate biscuit cake foi um dos dois bolos escolhidos para a celebração com Kate Middleton.

2. Sanduíches de geleia desde menina

Os sanduíches de geleia que Elizabeth II comia na infância continuaram a chegar à sua mesa depois de adulta, segundo McGrady. Chamados de jam pennies, eles levam pão sem casca, manteiga e geleia, geralmente de morango.

O nome vem do tamanho de uma antiga moeda britânica de um penny. Para dar esse formato aos sanduíches, o chef recheava o pão, juntava as fatias e cortava pequenos círculos com um cortador, como mostrou em um vídeo sobre o chá servido nas residências reais.

Scones simples e com passas se alternavam no chá da tarde de Elizabeth II, segundo o ex-chef Darren McGrady
Scones simples e com passas se alternavam no chá da tarde de Elizabeth II, segundo o ex-chef Darren McGrady

3. Chá todos os dias, com atenção aos scones

Mesmo em viagem, Elizabeth II mantinha o chá da tarde. McGrady descreve um serviço com Earl Grey, dois tipos de sanduíche, uma seleção de bolos e pequenos doces, além dos tradicionais scones, pãezinhos rápidos de massa amanteigada assada, preparada com fermento químico.

Entre tantas preparações, os scones exigiam uma consulta ao que havia sido servido na véspera e se alternavam entre simples e com passas. Para manter a sequência quando a rainha mudava de residência, os cozinheiros de Buckingham chegavam a telefonar para a outra equipe. “Não sei o que teria acontecido se repetíssemos, mas sempre conferíamos”, contou McGrady em entrevista à Coffee Friend.

4. Peixe grelhado para o almoço

Um peixe grelhado com salada podia ser suficiente para o almoço de Elizabeth II quando ela estava sozinha. Nessas ocasiões, segundo o chef, batatas e outros acompanhamentos ricos em amido costumavam ficar de fora.

Para definir as refeições, a cozinha apresentava sugestões em um livro encadernado em couro vermelho, o Menu Royale. A rainha examinava os pratos e podia riscar uma opção ou pedir uma substituição. Os cozinheiros também conheciam suas restrições: o alho, por exemplo, desagradava a monarca tanto pelo cheiro quanto pelo sabor.

Os recados à cozinha podiam tratar ainda do aproveitamento dos alimentos. Em entrevista à WWD, McGrady lembrou que um limão inteiro usado apenas para decorar um prato voltou com uma orientação de Elizabeth para que a fruta fosse aproveitada em outro preparo.

Nos jardins do Castelo de Balmoral, a própria rainha colhia morangos que levava à cozinha, segundo o ex-chef
Nos jardins do Castelo de Balmoral, a própria rainha colhia morangos que levava à cozinha, segundo o ex-chef

5. Em Balmoral, a rainha também colhia morangos

Não era raro Elizabeth II chegar à cozinha do Castelo de Balmoral, em Aberdeenshire, na Escócia, com uma cesta de morangos recém-colhidos por ela mesma. McGrady se recorda de as frutas serem servidas acompanhando sobremesas como mousse e sorvete ou chocolate. Os jardins da propriedade também forneciam morangos para a geleia dos jam pennies.

Essa proximidade entre a cozinha e os alimentos produzidos nas terras reais se estendia às outras refeições. Segundo o chef, a orientação era aproveitar os ingredientes da estação. Salmão e carnes de caça também apareciam com frequência no cardápio de Balmoral.



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