PIVI: uma ótima pizza para renovar a lista de favoritas em São Paulo

Na Vila Mariana, Giovanna Marin e Lucas Galli transformaram as noites de pizza e vinho do casal em uma casa de massa levíssima e boas razões para prolongar o jantar


Massa levíssima e fermentação de cerca de 48 horas marcam as pizzas da Pivi, na Vila Mariana - foto Amanda Francelino (Curcuma Estudios)
Massa levíssima e fermentação de cerca de 48 horas marcam as pizzas da Pivi, na Vila Mariana - foto Amanda Francelino (Curcuma Estudios)

São Paulo tem quase 5 mil pizzarias, segundo levantamento da Associação Pizzarias Unidas do Brasil, a Apubra. Mesmo assim, confesso que frequentemente me vejo comendo nas mesmas, pedindo os mesmos sabores e deixando para depois aquela lista de endereços que quero conhecer.

Gosto de voltar aonde sei que vou comer bem, mas também gosto quando uma descoberta me faz rever esse hábito. A PIVI, de Giovanna Marin e Lucas Galli, foi uma delas.

A PIVI abriu em junho na Rua Joaquim Távora, na Vila Mariana, perto de ótimos restaurantes como Aiô, Aê Cozinha e Mapu. É uma região que vem acumulando motivos para sair de casa com fome, e agora ganhou mais um.

A PIVI também faz parte de uma mudança que venho percebendo nas pizzarias de São Paulo. Enquanto a napolitana ganha espaço ao lado da nossa pizza paulistana, surgem pizzarias com ambientes mais contemporâneos, entradas que merecem atenção e cartas de drinques que ampliam as possibilidades da refeição.


Giovanna Marin e Lucas Galli se conheceram no Maní e trabalharam na Itália e na Austrália antes de abrir a Pivi - foto Carol Secchin
Giovanna Marin e Lucas Galli se conheceram no Maní e trabalharam na Itália e na Austrália antes de abrir a Pivi - foto Carol Secchin

Continuo gostando muito do programa tradicional, com uma pizza grande no centro da mesa e a negociação para decidir os sabores entre a família ou amigos. Mas acho bem-vinda essa variedade de formatos, especialmente quando o cuidado com o bar e o salão vem acompanhado de uma pizza tão boa quanto a que comi ali.

No caso da PIVI, a ideia nasceu de um programa que os próprios donos faziam nas noites de folga. Lucas levava a pizza, Giovanna abria uma garrafa de vinho e a conversa frequentemente atravessava a madrugada.

Eles chamavam esses encontros de PIVI Night, uma junção de pizza e vinho. O nome ficou e, quando surgiu a oportunidade de abrir a casa, o casal quis levar para ela um pouco daquele jeito de passar o tempo à mesa.

A vontade de ter uma pizzaria já orientava as escolhas profissionais dos dois havia anos. No fim de 2025, uma proposta do sócio Marcelo Santiago fez com que voltassem ao Brasil para tirar o plano do papel, até a abertura em 4 de junho de 2026.

Giovanna e Lucas se conheceram trabalhando no Maní, onde ela começou como estagiária e ele chegou a sous-chef. Depois seguiram para a Itália, que deu a cada um uma parte importante do conhecimento que hoje aparece na PIVI.

Ela passou pelo agriturismo Podere La Torre e pela rosticceria Il Girasole, trabalhando com massas frescas, panettone e receitas da cozinha italiana do dia a dia. Ele fez um curso na Pizzeria L'Amalfitana, foi contratado e passou a se dedicar à pizza.

Após um período no Brasil durante a pandemia, os dois viveram quatro anos em Melbourne. Giovanna aprofundou seu trabalho com panificação na Loafer Bread e na To Be Frank, enquanto Lucas passou por pizzarias como Zero95, SPQR, Teo's e Ciao Cielo, além de trabalhar com produções sem glúten na Kudo Bakery.


A coquetelaria tem espaço próprio na Pivi, com carta assinada por Diogo Rodrigues - foto Amanda Francelino (Curcuma Estudios)
A coquetelaria tem espaço próprio na Pivi, com carta assinada por Diogo Rodrigues - foto Amanda Francelino (Curcuma Estudios)

Hoje, Lucas cuida principalmente da pizzaria e da operação, enquanto Giovanna se divide entre cozinha, salão e administração. Na criação dos sabores, ela costuma propor as combinações, e ele trabalha com ela nos testes e ajustes até chegarem à receita que querem servir.

Eles definem a pizza como napolitana contemporânea, feita com farinha italiana e cerca de 48 horas de fermentação. O processo utiliza biga, uma preparação prévia de parte da massa, e termina em um forno iglu que funciona com gás e lenha.

Comecei a noite pelas olive ascolane, que na versão da PIVI aparecem como crocantes bolinhos de bochecha suína com azeitona verde no interior, e pela melanzane acompanhada de pão gonfiato. Foi nessa segunda entrada que minha expectativa para as pizzas aumentou.

A berinjela vem com o mesmo molho de tomate usado nas pizzas, e bastou prová-lo para perceber a qualidade do trabalho deles. Se o molho já era tão bom, fiquei ainda mais curioso para conhecer a massa.

Entre as pizzas, comecei pela Margherita, que é meu termômetro para conhecer uma casa. Gosto de provar coberturas diferentes, mas essa combinação de poucos ingredientes me permite prestar mais atenção na massa, no molho, no queijo e na proporção entre eles.

A expectativa se confirmou: a massa é levíssima, daquelas que dão vontade de continuar comendo e experimentar mais um sabor. O molho que havia me chamado a atenção na entrada voltou a aparecer, agora numa pizza que passou com folga pelo meu teste da Margherita.

Também provei as pizzas de alcachofra e cogumelos e de mortadella. Na primeira, os cogumelos confitados e a alcachofra ganham a companhia do Tulha, da Fazenda Atalaia, um dos meus queijos favoritos.

Gostei muito de encontrá-lo nessa cobertura, que mostra como os ingredientes brasileiros têm espaço na cozinha da PIVI. E gostei de poder passar de uma Margherita tão bem-feita para outras combinações com aquela mesma massa como base.

Outra pizza do cardápio leva brócolis, queijo de cabra e chilli crunch, e Giovanna a aponta entre suas preferidas. Não provei nessa minha primeira ida, mas ficou entre os pedidos que quero fazer quando voltar (já que certamente voltarei).

A parte das bebidas também entrou na minha refeição, com o Giuseppe e o Basilico. A carta de coquetéis é assinada por Diogo Rodrigues, que passou pelo Bar do Jiquitaia, e dá ao bar uma participação que faz sentido na proposta da PIVI.

O Giuseppe leva Cynar, vermute tinto, limão-taiti e geleia de damasco. É uma das opções para quem quiser acompanhar a pizza com um drinque, embora os vinhos tenham lugar garantido na casa desde aquelas noites de folga que deram origem ao nome.

Giovanna aproveitou o período na Austrália para estudar o assunto e concluiu os níveis 1 e 2 da formação WSET. Mas atribui à vida na Itália uma influência importante sobre suas escolhas: o hábito de valorizar o que é produzido no próprio país.

Daí a prioridade aos vinhos brasileiros na PIVI. Esse olhar também orienta a cozinha, sem impedir o uso de ingredientes de fora, como a farinha e o molho de tomate italianos utilizados nas pizzas.

Para encerrar, comi o tiramisù. A essa altura, já tinha passado pelas entradas, provado três pizzas e conhecido um pouco do bar, com bons motivos para planejar uma segunda, terceira e mais visitas.

Com quase 5 mil pizzarias à disposição, o difícil talvez seja abandonar por uma noite aquela de sempre. Ainda bem que, dessa vez, abandonei.

 

PIVI Pizza Bar Rua Joaquim Távora, 1.467, Vila Mariana, São Paulo

Funcionamento: quarta a sábado, das 18h às 23h e domingo, das 17:30h às 22:30h Instagram: @pivipizzabar



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