Pipo é mais uma prova de que comer mal em shopping é coisa do passado
No Eldorado, boas pizzas e pratos bem pensados dividem um cardápio marcado pela brasa e por referências asiáticas

Durante muito tempo, comer em shopping significava escolher pela conveniência e aceitar que a refeição seria apenas mais uma etapa entre uma compra e outra. A praça de alimentação resolvia a fome, mas dificilmente era o motivo da visita.
Esse cenário mudou bastante de tempos para cá, ainda bem. Hoje há restaurantes dentro de shoppings que justificam a ida mesmo para quem não pretende comprar absolutamente nada, e o Pipo, no térreo do Shopping Eldorado, é um ótimo exemplo desse novo momento não tão recente.
O restaurante nasceu como um projeto de Felipe Bronze e ganhou outra configuração ao chegar ao Eldorado, no fim de março, como segundo restaurante colaborativo da Bronze+. O primeiro foi o Lina, criado com Bia Limoni e de que já falei nesta coluna.
Na nova fase do Pipo, Paul Cho responde pelas pizzas, enquanto Andreza Luísa assume o comando executivo da cozinha. No papel, parece uma soma de assinaturas, mas, na mesa, o cardápio tem unidade e a brasa ajuda a ligar quase tudo.
Paul chegou à pizza depois de percorrer cozinhas bem diferentes. Formado em gastronomia pela Anhembi Morumbi, estagiou no D.O.M., trabalhou no Epice, passou por Dubai e pela Coreia do Sul e, decidido a se dedicar às redondas, foi aprender na ótima Roberta's, no Brooklyn em NY.
De volta ao Brasil, comandou os fornos da Bráz Elettrica por quatro anos e, em 2021, abriu a Paul's Boutique. A pizzaria, inspirada nas casas nova-iorquinas que vendem grandes fatias, tornou-se o seu projeto mais conhecido.
A pizza da Paul's Boutique é a favorita do Joca e eu também adoro. Embora, no geral, eu prefira as pizzas napolitanas ou paulistanas às de estilo nova-iorquino, a do Paul é deliciosa, especialmente a de milho, obrigatória para quem ainda não conhece.
No Pipo, Paul trabalha com pizzas individuais, mais próximas do formato napolitano do que dos grandes discos vendidos em fatias na Paul's Boutique. A brasa aparece até no molho de tomate e em vários ingredientes das coberturas, aproximando as pizzas do restante do cardápio.
Quem toca a operação no dia a dia é Andreza Luísa, mineira de Santo Antônio do Monte, que começou na cozinha aos 17 anos e acumula mais de uma década de profissão. Em 2019, assumiu o comando executivo das casas de Léo Paixão e, dois anos depois, foi eleita chef revelação de Belo Horizonte.
Em 2022, mudou-se para São Paulo para liderar o Tanit e o Nit, de Oscar Bosch, e, no ano seguinte, venceu a sexta temporada do The Taste Brasil. Depois, comandou o Belô Café e hoje é chef executiva da Bronze+, função que a colocou à frente do dia a dia do Pipo.

O cardápio do Pipo não fica restrito a uma cozinha brasileira centrada no fogo. Referências asiáticas aparecem com frequência, com missô, ponzu, chilli oil, kimchi e gochujang dividindo espaço com queijo Tulha, laranja-baía, melaço e castanhas.
Comecei com o pão da casa (R$ 25), que chega fumegante, assado na hora e acompanhado de manteiga defumada de melaço. É o tipo de começo que cria um problema para quem pretende provar vários pratos, porque a vontade é acabar com tudo antes que a sequência chegue (e pão, confesso, é um dos meus pontos fracos).
Depois, comi o tartare de atum (R$ 87), servido com coalhada, pasta de tomates assados, azeite de manjericão, tapenade de azeitonas e avelã caramelizada. A combinação do atum com a coalhada me agrada bastante, e os demais elementos completam o prato sem esconder o peixe, com destaque para a crocância que a avelã dá ao prato.

O guioza de porco (R$ 65, com quatro unidades) vem grelhado, acompanhado de ponzu de laranja-baía e chilli oil. Há quem possa estranhar a picância, mas sou daqueles que colocam chilli oil em praticamente tudo, então gostei bastante.
A maior surpresa do almoço, porém, foi o repolho na brasa (R$ 68). Até então, repolho só me emocionava em forma de charutinho na comida libanesa, categoria na qual o da minha avó era imbatível.
No Pipo, o vegetal é servido com creme de castanhas e missô, chilli crunch e uma chuva generosa de queijo Tulha. A passagem pelo fogo concentra o sabor, deixa algumas partes tostadas e transforma um ingrediente aparentemente simples em um dos melhores pratos da casa.
Na sequência, provei a pizza de pancetta (R$ 79), coberta com muçarela, kimchi e gochujang, pancetta, cebola na brasa, picles de abacaxi e cebolinha. A gordura da carne de porco encontra a fermentação e a picância dos ingredientes coreanos, enquanto o abacaxi traz a acidez necessária para o conjunto não ficar pesado; o resultado é um golaço.
Para terminar, comi o pudim (R$ 46), apresentado no cardápio com a confiança de quem se considera "o melhor de todos". Não provei todos os pudins do mundo para confirmar a afirmação, mas este é realmente muito bom e encerrou o almoço sem baixar o nível.
Durante a semana, o Pipo também oferece uma fórmula executiva no almoço. De segunda a sexta, exceto feriados, quem pede um prato principal ou uma pizza pode acrescentar R$ 35 e receber uma entrada e uma sobremesa do dia.
Talvez a melhor forma de avaliar um restaurante de shopping seja perguntar se a comida justificaria a visita mesmo sem nenhuma compra para fazer. No caso do Pipo, eu voltaria pelo repolho, pela pizza e pelo pudim, sem precisar sequer olhar uma vitrine.
Serviço
Pipo Bronze + Paul Cho
Shopping Eldorado, piso térreo, Avenida Rebouças, 3970, Pinheiros, São Paulo
De segunda a quinta, das 12h às 15h e das 18h às 22h; sexta, das 11h30 às 23h; sábado, das 12h às 23h; domingo, das 11h30 às 21h
Reservas pelo link disponível no Instagram
Instagram: @pipo_sp
from Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://ift.tt/4a2VWqK
via IFTTT

Comentários
Postar um comentário