Restaurantes em livrarias rendem ‘combo’ irresistível no Centro e na Vila Madalena

Alguns espaços na cidade têm feito sucesso com um “combo” poderoso: comida e livros. Afinal de contas, nem só de devoradores de histórias é feito um público leitor, não é mesmo? Pratos bem executados, em um ambiente convidativo e cercado de livros por todos os lados, têm sido um atrativo a mais para ir almoçar, jantar ou fazer um lanche caprichado em algumas livrarias paulistanas.

Restaurantes dentro de livrarias, como o da Bibla, e o pioneiro Cuia, que compartilha o mesmo território com a Megafauna no térreo do Copan, entram na mira desta reportagem. Espaços em que pratos bem servidos e boa oferta de livros alimentam corpo e alma dos frequentadores.

A chef Bel Coelho no ambiente da livraria Megafauna, que compartilha o mesmo território com o Cuia
A chef Bel Coelho no ambiente da livraria Megafauna, que compartilha o mesmo território com o Cuia

A primeira a apostar nessa dobradinha de sucesso foi a Megafauna, que incluiu a chef Bel Coelho no projeto muito antes de abrir as portas no final de 2020. Uma das sócias da livraria, Irene de Hollanda, conta que a Megafauna já nasceu com a ideia de ter um restaurante. “Inicialmente a Bel seria consultora de gastronomia, elaboraria o menu, mas com o fechamento do Clandestina, durante a pandemia, ela resolveu assumir a operação total do Cuia”, conta Irene. “O que pra gente foi ótimo porque ela entrou no projeto com energia total”.

“A refeição tem um tempo diferente. Ela convida as pessoas a desacelerar, a permanecer, a conversar. E isso dialoga profundamente com a experiência da leitura”.

Bel Coelho

Abrir um restaurante dentro de uma livraria é um processo que extrapola, e muito, a oferta de um cardápio atrativo. É preciso planejar a dinâmica do espaço, para que um negócio não atrapalhe o outro. A harmonia entre a operação na cozinha e na livraria é fundamental para que essa combinação funcione.

Bel teve o cuidado de incluir seus livros favoritos de cozinha na decoração do Cuia. A cozinha é silenciosa e o serviço flui com delicadeza. “Desde o início, a expectativa não era simplesmente oferecer um lugar para comer, mas criar um espaço de permanência”, conta Bel. “Um lugar em que as pessoas pudessem prolongar uma conversa iniciada por um livro ou interrompê-la por um prato de comida”. Para a chef, cozinhas e livrarias compartilham a mesma vocação: ambas são espaços de encontro, curiosidade e transformação.

O salão do Cuia: integração total com as prateleiras de livros da Megafauna
O salão do Cuia: integração total com as prateleiras de livros da Megafauna

A Bibla da Vila Madalena tem dois anos de vida. E uma história bem diferente para contar. A ideia das sócias, Alessandra Effori, Luciana Gil Borges e Isadora Peruch, desde o início, foi criar um espaço de convívio com livros e boa comida. A casa que os frequentadores encontram quando atravessam a porta de entrada foi construída especialmente para abrigar a livraria, o café do térreo e o restaurante do andar superior.

Tudo foi construído do zero sobre o espaço ocupado anteriormente por uma casa lotérica. O cenário é um dos pontos que fisgam o visitante da loja logo de cara. Como um bom livro, que faz a gente “economizar” as páginas finais para esticar a permanência na história, é muito fácil entrar na Bilbla, já se despedir da experiência, custa, viu?

Alessandra Effori, Luciana Gil Borges e Isadora Peruch, sócias da Bibla
Alessandra Effori, Luciana Gil Borges e Isadora Peruch, sócias da Bibla

“A Bibla é um lugar”, resume Luciana Gil Borges. “O ambiente e o menu foram pensados para envolver e aconchegar”. De fato, uma receita que funciona. Seja para um café com bolo entre as estantes de livros na entrada da casa ou para um almoço ou jantar completo na área do restaurante.

Sobre esse tema, Isadora Peruch é a sócia que tem a palavra. Preparamos todos os pratos do restaurante na nossa cozinha. Já na operação do café temos parceiros. “Mas o bolo divino também assamos no forno da casa”, conta fazendo menção ao bolo de chocolate com doce de leite e especiarias, que virou o “doce-desejo” na Bibla. “Preparamos cinquenta bolos por semana.”

Hambúrguer do Z-Deli é surpresa boa no cardápio da Bibla
Hambúrguer do Z-Deli é surpresa boa no cardápio da Bibla

Um dos grandes mistérios para quem chega à Bibla é o fato de ter uma cozinha em funcionamento durante o dia inteiro e zero aroma de comida no ambiente. Para conseguir essa proeza, Isadora contou com a ajuda do marido Júlio Raw, dono do Z Deli. Ele deu seus pitacos no projeto da cozinha, feita sob medida para o cardápio, que já estava escolhido antes da instalação do primeiro azulejo. “A cozinha é bem pequena, com vinte metros quadrados, é tem uma coifa que ocupa praticamente toda a extensão do espaço”, revela Isadora.

Na Bibla, a comida mantém a casa cheia da manhã até a noite, especialmente aos sábados
Na Bibla, a comida mantém a casa cheia da manhã até a noite, especialmente aos sábados

O cardápio da Bibla inclui desde pratos típicos de um brunch, como ovos mexidos, torradas e abacate temperadinho, até ofertas mais elaboradas, como milanesas com purê e saladinha ou um bom hambúrguer com fritas à moda do Z Deli.

Isadora antecipa mais uma novidade para quem gosta de passar na casa à noite: “Acabamos de adicionar uma carta de vinhos naturais ao cardápio e logo teremos uma seleção incrível de queijos e embutidos especiais para provar com as bebidas”.

Muita gente chega à Bibla pela comida, outros tantos pelos livros. “O restaurante é uma operação rentável que torna o espaço vivo o dia inteiro”, explica Alessandra Effori, em coro com as sócias.

Na hora da conta, ganham leitores e comensais.

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