‘Newstalgia’: conheça a nova onda das sobremesas vintage e cinco opções que merecem voltar à moda
Se fosse preciso escolher uma trilha sonora para a tendência que domina as sobremesas em 2026, bastaria recorrer aos versos de Cazuza. Na hora dos doces, o que vem conquistando chefs, marcas e consumidores é, de fato, uma espécie de “Museu de Grandes Novidades”.
Esse movimento de resgatar receitas do passado, reinterpretá-las e projetá-las para o futuro ganhou até um nome entre pesquisadores de comportamento alimentar: Newstalgia. O termo aparece no relatório Food Trends by Chefs, elaborado pela Cargill em parceria com Luis Henrique Nicolette, Senior Culinary Manager LATAM da empresa, para definir uma das principais tendências observadas tanto nos cardápios de restaurantes quanto nos lançamentos da indústria.
“Em 2026, consumidores buscam conforto e estabilidade em alimentos e bebidas baseados em tradições confiáveis, como resposta ao cenário volátil e marcado pela inteligência artificial. O desejo de voltar a práticas antigas não se refere a uma época específica, mas a uma visão idealizada de simplicidade”, escreveram os autores.
Talvez seja justamente por isso que tantas marcas tenham apostado no retorno de clássicos aposentados — especialmente no universo dos chocolates. Nos restaurantes, o movimento também se fortalece, com uma presença crescente das chamadas receitas vintage.
“Os hobbies de ‘avó’ e as receitas antigas estão em alta, especialmente entre millennials em busca de propósito e bem-estar. A indústria alimentícia responde inovando em produtos que remetem ao passado, apostando em ingredientes autênticos, processos tradicionais e no upcycling repaginado como ‘engenhosidade’”, aponta o relatório.
Em Paladar, essa tendência já apareceu em reportagens sobre o retorno de clássicos que jamais deveriam ter saído de cena, como o bolo Martha Rocha, os fios de ovos e o tradicional manjar de coco.
Foi a partir desse movimento que a repórter de Paladar Chris Campos — colecionadora de revistas de culinária das décadas de 1960 e 1970 — mergulhou em antigas publicações e selecionou cinco sobremesas que desapareceram das mesas brasileiras, mas têm tudo para voltar a fazer sucesso.
Confira a seguir cinco receitas retrô que mereciam embarcar na onda da Newstalgia.
Cassata siciliana

Presença constante nas mesas de festa dos anos 1970, a sobremesa italiana reunia uma camada de pão de ló embebida em rum e um recheio de creme de ricota com chocolate que, depois de algumas horas no freezer, ganhava textura de sorvete cremoso.
BAVAROISES
De origem alemã, a sobremesa lembra um manjar de coco tanto na aparência quanto no preparo, já que também leva folhas de gelatina para manter a forma depois de gelada. O sabor, porém, é marcadamente abaunilhado: quase um pudim de baunilha, mas com sotaque alemão e alma retrô.
Creme de chocolate ao zabaione
Classificada como o último grito da moda nas cozinhas do início dos anos 1970, a sobremesa era servida em taças e combinava duas camadas. A primeira levava zabaione — mistura de ovos, açúcar e vinho marsala batida até ganhar consistência aerada. A segunda era um creme de chocolate preparado como um pudim. Juntas, faziam sucesso garantido.
Torta de merengues

Discos de suspiro recheados e cobertos com creme de zabaione e chantili arrancavam aplausos à mesa. Para finalizar, uma generosa chuva de cacau em pó deixava a sobremesa ainda mais elegante — e mais doce do que um beijo de amor.
Fios de ovos

Poucos doces exigem tanta técnica quanto os fios de ovos. Preparados praticamente apenas com gemas e açúcar, eram exibidos em torres exuberantes e decoravam mesas de casamento, batizados e grandes banquetes. Hoje aparecem cada vez menos, mas seguem como um dos maiores símbolos da doçaria de tradição portuguesa.
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