No delivery, Sabah mostra por que é casa de família
Tem dia que só delivery salva. Domingo foi um. Desconfiar ou dobra-se à recomendação do Sabah deixou de ser uma questão. Não fucei Instagram, reviews de iFood nem chequei a distância – e eram 5 quilômetros. Só pedi.
Ao buscar a encomenda, duas sacolas de papel com um monte de marmitinhas de alumínio e duas caixas grandes de papelão me esperavam. O entregador já havia ido e, se estava de moto, aquilo foi um milagre. Nenhuma embalagem high-tech, mas tudo em seu devido lugar; o que devia ir quente à mesa estava quente, o que devir ir frio assim estava. Motivo suficiente para abortar a missão de passar tudo a outros recipientes. Primeira boa surpresa.
O banquete árabe era farto e, como coração de avó libanesa, variado. Quibe cru (R$ 60), frito (R$ 15) e assado (R$ 60); esfihas de carne, escarola e ricota (R$ 14 cada); trio de pastas com coalhada, homus e babaganoush (R$ 50), pão pita (R$ 5) e torradinhas (R$ 6); uns falafels (R$ 7 a unidade); kafta irrigada em molho de hortelã (R$ 15 cada); meia porção de abobrinha (R$ 35) e meia de charutinhos de folha de uva recheados (R$ 60).
Esqueci de pedir tabule! Por sorte, tinha salada lavada e deu para aproveitar a pimenta da casa, a maionese de alho e ervas e o taratour (com tahine, limão e alho). Para encerrar, doce de semolina (R$ 15), uns ninhozinhos de damasco e outros folhadinhos de nozes (R$ 6 cada).
A agradável sensação de não saber por onde começar contou a favor do Sabah. Assim como o impacto de comida com gosto de família. Capaz que o quibe cru pudesse ter um pouco menos de trigo, mas as folhas fresquíssimas de hortelã que acompanhavam faziam a gente relevar, como a umidade na versão de forno. As massas das esfihas eram fininhas e não faltava recheio, sempre bem temperadinho. A de escarola, com uma cobertura extra de alho frito, demonstrava o apego da cozinha libanesa ao ingrediente.
Os charutinhos macios e hermeticamente fechadinhos, a abobrinha sem desmilinguir- se. A coalhada não disfarçava acidez, o babaganoush exalava brasa. O bolinho de semolina, alegremente enxarcado em xarope de flor de laranjeira, quase me fez desistir dos outros docinhos bem docildinhos.
O festim foi tão feliz que, aí sim, quis saber de onde vinha. O Sabah deveria chamar Sabbag, visto que é o sobrenome do fundador. Filho de libanês, Nilton abriu o restaurante na década de 1990, em Santana, na zona norte de São Paulo. Há pouco mais de 10 anos, transferiu o negócio para dentro do Club Homs, na Avenida Paulista.
Com a ajuda do filho Bruno, hoje monta bufês diários, com toda a fartura mencionada mais umas receitinhas inspiradas em seus antepassados. Durante a semana, o valor é de R$ 85, sábados e domingos pula para R$ 120, mesmo preço dos jantares. Não sei se antes de repetir o delivery, mas hora dessas vou lá conferir.
Sabah
Av. Paulista, 735. Seg. a sex., das 11h30 às 15h30 e das 19h às 21h45; sáb., dom. e feriados das 12h às 16h e das 19h às 21h45. Tel.: (11) 91873-0446. Mais informações: @sabahcozinhaarabe
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