“Afeto” traz boas receitas e histórias suculentas de 250 chefs brasileiras
“Afeto” (Senac Rio), livro da pesquisadora gastronômica, Roberta Malta Saldanha, é uma delícia em todo os sentidos. Primeiro por reunir um time de 250 mulheres, entre chefs, produtoras culinárias, jornalistas e estudiosas do assunto — todas cozinheiras de mão cheia. Depois pela seleção de receitas distribuídas entre bebidas, salgados e doces.
O livro também marca os 30 anos da autora na gastronomia. Roberta tem 16 livros publicados. Entre eles, dois títulos que são referência do assunto: “Culinária Brasileira, muito prazer: tradições, ingredientes e 200 receitas de grandes profissionais do país” e ”Benditas borbulhas: da França ao Brasil".
Para quem é fã de boas receitas para repetir em casa, não faltam inspirações e variações. Tem a receita favorita de bolo de banana da confeiteira Isabela Honda, o manjar de coco da chef Bella Masano, o cuscuz marroquino da nossa colunista Fernanda Meneghetti, o Sukiyaki de Telma Shimizu, a rabada com agrião e polenta de Janaína Torres. Isso só para citar as primeiras que despontam, à primeira vista, em uma folheada rápida no livrão de 550 páginas.

A intensão da autora foi reunir pequenas e suculentas histórias de cada uma das mulheres que preenchem as páginas do livro atreladas a uma receita em especial.
A diagramação limpa e o sortimento de receitas incita leitores e leitoras a vestir o avental e correr para a cozinha na tentativa de resgatar emoções despertadas por cada um dos sabores apresentados.
O livro ainda traz receitas e histórias de grandes nomes da gastronomia in memoriam: Nina Horta, Bettina Orrico, Wilma Kovesi e Palmirinha.

“Afeto” inclui ainda receitas e relatos de mulheres poderosas na coquetelaria. Chula Barmaid, Viviane Puerta e Stephanie Marinkovic aparecem logo nas primeiras páginas da publicação.
Abaixo você confere trechos de algumas das pequenas histórias inspiradas em pratos, que são pura memória afetiva, sugeridos pelas chefs Telma Shimizu, Tássia Magalhães, Manu Ferraz, Janaína Torres e Carla Pernambuco.

O Sukiyaki de Telma Shimizu
“O Sukiyaki é um prato que me remete ao conforto dos bons encontros em torno da mesa. Guardo como uma das memórias mais preisosas que tenho desde muito pequena: todos ajudavam nas preparações, a panela grande no meio da mesa, a família reunida em volta, os ingredientes sendo cozidos na hora e compartilhados... Mais que uma receita tradicional, é um prato que aproxima e une as pessoas nesse ato simples de fazer e apreciar em conjunto”.

O arroz biro Bira de Tássia Magalhães
“O arroz biro Bira tem um significado muito especial para mim... ele foi inspirado no meu pai, que costumava fazer esse arroz para os familiares e amigos. O apelido do meu pai era Bira, por isso o nome do arroz ser biro Bira e o motivo desse prato acabar sendo uma releitura do clássico biro-biro”.

Quenga de milho-verde com galinha de Manu Ferraz
“Quenga de milho-verde com galinha tem cor de domingos azuis, mesa cheia com alegre nostalgia dos tempos da casa de avó paterna. Para esse encontro de receitas especiais, escolho este prato para compartilhar uma história que faz parte de minha infância e que também me deu caminhos bonitos na vida. Foi vivendo a simples complexidade de mexer o milho que me levou ao encantamento e à definição de que era desse lugar que nascia minha identidade dentro da cozinha”.

A rabada com agrião e polenta cremosa de Janaína Torres
“A rabada com agrião e polenta cremosa é muito especial pra mim: mostra uma identidade minha com a panela de pressão, com os miúdos, com a comida de cortiço e de comunidade. Um prato que eu considero afrodisíaco, envolvente, saboroso. Eu acho um charme comer rabada com as mãos, se lambuzar com os ossos. Trazer colágeno para nossa pele. Os aromas são uma tentação e fazem com que os comensais se envolvam afetivamente com esta receita”.

Éclair da Carla Pernambuco
“Eu queria fazer um doce, ir para a cozinha e dedicar um tempo a preparar uma lembrança saborosa de minha mãe. Rever dona Marlene e sua elegância esguia vestida em chemisiers fluidos, vasculhando Buenos Aires em busca de um café e um dulce. Posso imaginar a cena: por certo ela pediria um éclair, o único pecado que a faria sair do controle ferino sobre as formas longilíneas. A saudade ditou a escolha: vai ser éclair“.
SERVIÇO - “Afeto” (Editora Senac Rio), 550 páginas, R$ 215
Veja também:
from Estadão | As Últimas Notícias do Brasil e do Mundo https://ift.tt/FlDI7Ur
via IFTTT

Comentários
Postar um comentário