Da Ricardo Jafet aos Jardins: os 50 anos da Esfiha Imigrantes
Será que São Paulo esqueceu como faz sol? O inverno fincou pé com dias seguidos de chuva, transformando qualquer calçada em obstáculo e qualquer casa em abrigo. Nesse cenário cinzento, poucos confortos funcionam tão bem quanto uma caixa de esfihas recém-saída do forno chegando à mesa.
Se esse delivery trouxer o selo da Esfiha Imigrantes, que acaba de completar cinco décadas, o aconchego é garantido. A marca, fundada em 1975, celebra suas bodas de ouro mostrando que a consistência pode atravessar gerações e mudanças nos hábitos de consumo. Hoje, quem conduz essa engrenagem é Filipe Mello, representante da terceira geração da família. Ele carrega no DNA a garra dos fundadores que vieram de Pernambuco para erguer um império com sotaque árabe e coração brasileiro.
“É uma honra ter exemplos como meu avô e o meu pai, que depositaram muito amor nessa história”, destaca Filipe. O negócio que começou de forma simples na Avenida Ricardo Jafet, na Vila Gumercindo, alcançou números expressivos ao longo de cinco décadas. A esfiha aberta de carne (R$ 8,90), carro-chefe da casa, ultrapassa 10 mil unidades vendidas por dia – mais de 300 mil por mês.
Quando computados os demais sabores nas quatro lojas da marca, o montante ultrapassa meio milhão de esfihas mensais. A saber: o pódio de receitas best-sellers ainda inclui kibe frito (R$ 11,90) e os charutinhos de repolho (R$ 48,90) e de uva (R$ 52,90).

“Quando uma marca tem 50 anos, a receita não é só uma ficha técnica. Ela carrega lembrança e expectativa do cliente”, reflete o CEO. “O desafio é crescer sem perder a mão artesanal e sem descaracterizar o produto”, complementa. O percurso acaba de ganhar um novo capítulo com a inauguração da quinta unidade na Rua Pamplona, nos Jardins.
O endereço repete os traços das filiais anteriores (Tatuapé, Lapa e São Bernardo do Campo), mas sinaliza uma expansão estratégica para “uma das regiões mais exigentes da capital”. Embora tenha capacidade para 30 pessoas e ofereça um menu executivo vantajoso para o dia todo (R$ 49,90), o foco ali é declaradamente o delivery. A meta é ousada: bater 15 mil pedidos mensais até o fim do ano!
Volume à parte, na Esfiha Imigrantes, o respeito às próprias origens convive sem conflitos com o paladar local. Um exemplo disso é a presença generosa de Catupiry no menu. Filipe explica que essa combinação nasceu para “abrasileirar a experiência”. Ao invés da tradicional coalhada árabe, com notável acidez, o requeijão 100% nacional traz uma cremosidade que conquistou o público em esfihas (como as de pepperoni e bacon, R$ 13,90 cada), no recheio do kibe (R$ 14,90) e na coxinha nada sírio-libanesa (R$ 14,90).

Confesso que provei a de escarola com bastante Catupiry e não pouco alho (R$ 13,50) e fui feliz no meu sofá. Apesar de versões doces, não existia uma do queijo com goiabada e as opções como pistache e doce de leite não me seduziram o suficiente para incluir no pedido.
Enquanto a chuva persistia do lado de fora, o saldo da degustação foi positivo, especialmente pelas pastas – destaque para o babaganoush (R$ 37,90), com agradável nota defumada. Afinal, receitas bem executadas costumam atravessar modismos, estações e gerações.
Esfiha Imigrantes
Rua Pamplona, 1253, Jardins. Dom. a qui., das 10h à 00h; sex. e sáb., das 10h à 1h. WhatsApp: 11 98704 9843
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