Nem todo mundo sabe, mas o Feed também é restaurante

No fundo do açougue-boutique, restaurante serve carnes de alto nível, almoço executivo e cortes escolhidos pelo cliente

 


No Feed, o restaurante funciona porque não tenta se afastar do açougue | foto: Divulgação
No Feed, o restaurante funciona porque não tenta se afastar do açougue | foto: Divulgação

Existe uma certa geração de paulistanos apaixonados por carne que, em algum momento, já comprou cortes no Feed. Muito antes da explosão dos açougues-boutique em São Paulo, por lá já se trabalhava com uma curadoria de carnes em nível alto, tratando origem, genética, marmoreio e seleção de cortes como parte essencial da experiência.

O que nem todo mundo sabe é que, no fundo do açougue, existe também um restaurante. Depois de anos como cliente do Feed, finalmente fui almoçar ali pela primeira vez e, sentado à mesa, percebi uma lógica que deveria ser óbvia: se a matéria-prima do açougue já é excelente, o restaurante parte de uma vantagem enorme.

A proposta nasce justamente dessa integração. Toda proteína servida vem do Açougue do Produtor, com uma curadoria que acompanha genética, alimentação, manejo e sanidade, o que ajuda a garantir que o padrão da vitrine chegue também ao prato.

O ambiente tem duas possibilidades. De um lado, a parrilla e a cozinha aberta, onde o preparo faz parte do show; de outro, um espaço interno para quem prefere uma refeição mais reservada.

O restaurante, vale dizer, é zero luxo. E talvez justamente por isso funcione tão bem. Em uma cidade onde já virou comum pagar três dígitos por um corte de carne e receber algo que não vale a metade disso, o Feed oferece uma equação mais honesta: ambiente simples, serviço direto e carnes de nível alto.

À frente da cozinha está Letícia Massula, chef com trajetória pouco óbvia e muito interessante. Antes da gastronomia, ela passou mais de uma década no Direito e nos direitos humanos, depois construiu uma carreira marcada por pesquisa de campo, viagens por biomas brasileiros e estudo de comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas.

Essa bagagem aparece em uma cozinha que não trata carne apenas como produto de luxo. A ideia é entender corte, fogo, tempo e contexto, sem transformar a refeição em discurso.

Comecei pelo steak tartare (R$ 69), feito como deve ser: carne bem cortada na ponta da faca, textura preservada e bom tempero (que poderia ter sido perfeito não fosse o excesso de cebola que certamente causaria um incômodo em quem não é tão fã do vegetal como eu sou). Vem acompanhado de boas e crocantes batatas chips.

Também provei o hambúrguer, que pedi do meu jeito, só pão, carne e queijo. No cardápio, há duas opções de sanduíche: o Burger do Churrasqueiro (R$ 69), com pão brioche, blend da casa de 160g, queijo cheddar, folhas, tomate e bacon; e o Deli Sandwich (R$ 73), com pão português tostado, lâminas de ojo de beef defumado no pit, mostarda dijon, relish de pepino e maionese da casa.


No cardápio, há duas opções de hambúrguer | foto: Divulgação
No cardápio, há duas opções de hambúrguer | foto: Divulgação

Tive ainda a sorte de provar itens que estavam fora do cardápio naquele dia, como uma coalhada com vinagrete de uva e um chili oil excelente. São detalhes que mostram uma cozinha em movimento, testando caminhos sem perder o foco no produto.

Mas o grande momento da refeição foi o Denver (R$ 354 a tábua que promete servir 2 pessoas, mas, a meu ver, pode servir 3 porque ainda vem com 3 acompanhamentos). O corte do dianteiro, com alto grau de marmoreio, maciez e sabor muito marcantes, foi preparado com precisão e, sem exagero, foi uma das carnes mais gostosas que comi recentemente em São Paulo.

O cardápio ainda tem boas possibilidades para quem quer explorar a casa em diferentes formatos. No almoço executivo, servido de segunda a sexta, a proposta inclui entrada, principal e sobremesa, com opções como flat iron (R$ 96), baby beef (R$ 83), ancho (R$ 115), medalhão au poivre (R$ 88), parmegiana de baby beef (R$ 96), strogonoff de carne (R$ 79)e steak de frango com laranja (R$ 72).


O cardápio possui a opção de pedir a carne em tábua, com 3 acompanhamentos | foto: Divulgação
O cardápio possui a opção de pedir a carne em tábua, com 3 acompanhamentos | foto: Divulgação

Para quem quer uma experiência mais direta com o açougue, há a chamada Experiência do Produtor. Nela, o cliente escolhe pessoalmente a carne na geladeira Reserva do Produtor e paga o valor da peça mais R$ 120, com direito a três acompanhamentos. É uma dinâmica muito coerente com a alma do Feed.

No fim, o restaurante funciona porque não tenta se afastar do açougue. Ao contrário, assume essa origem como sua maior força.

O Feed não é um lugar para quem busca pompa. É uma boa opção para quem está cansado de pagar caro por carne mediana e quer encontrar, no prato, o mesmo rigor que se espera de uma boa vitrine de açougue. E talvez essa seja a melhor surpresa: descobrir que, no fundo de um grande açougue, existe uma mesa que leva a obsessão pela carne até o prato.

 

Serviço

Feed Restaurante Rua Mario Ferraz, 520, Itaim Bibi, São Paulo

Funcionamento da loja: segunda a sexta, das 9h às 20h; sábado, das 9h às 19h; domingo, das 9h às 15h.

Funcionamento do restaurante: segunda a sexta, das 11h30h às 15h; sábados e domingos, das 12h às 15h.

Instagram: @feedbrasil



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