Pães e doces transformam a experiência gastronômica em Paris em uma festa
Que Paris é uma festa já sabemos e agradecemos a Hemingway por nos lembrar disso sempre que o nome da “cidade luz” é mencionado. Uma festa que fica ainda melhor com canelles úmidas como pudins, gaufres polvilhados com açúcar, um cruffin sucré leve com uma nuvem ou um autêntico croissant au beurre.
Os doces e os pães folhados franceses — ou melhor, a pâtisserie e a viennoiserie — são suficientes para transformar a experiência gastronômica de um ser humano em busca de fortes emoções em Paris. Consumidos no café da manhã, na sobremesa do almoço, no lanche da tarde ou tarde da noite. Não há restrições para ser feliz nesse território.
Pinterest da vida real
Em bairros como Saint-Germain-des-Prés e Marais circula-se pelas ruas como quem adentra um portal do Pinterest na vida real. Lojas de doces ostentam em suas vitrines pratos com frutas glaceadas que poderiam estrelar qualquer natureza morta do acervo do L’Orangerie. Boulangeries como as disputadas The French Bastards e a franco-indonésia La Petite Manis produzem diariamente centenas de pães folhados tão alveolados quanto amanteigados e que transformam uma pausa para o café em um ritual sagrado diário. A massa folhada fininha, leve e saborosa derrete na boca e imediatamente eleva a régua do turista com fome de viver a experiência. Caminho sem volta, como dizem quando se prova um café decente pela primeira vez.
Uma das grandes especialidades francesas, aliás, não se limita ao território das padarias e cafés. Uma pausa em um dos mercados gastronômicos mais incensados do momento, o Marché des Enfants Rouges, me levou direto ao balcão do Des Enfants du Marché, estabelecimento que oferece pratos sazonais e um farto sortimento vinhos naturais. Com uma sensação térmica de -7 graus, pedi uma sopa de cebola que se materializou a minha frente coberta com massa folhada fininha, para quebrar como se faz com o crème brûlée. Abaixo da camada de massa, um líquido em temperatura equivalente ao da lava de um vulcão. Mais uma experiência divina promovida pelas boas almas que inventaram a viennoiserie francesa.
Pão francês de verdade
E repare como um pão leva a outro... Cheguei ao Marche des Enfants Rouges com a ideia fixa de provar um sanduíche na baguette alardeado pela bloqueiragem toda como “o melhor da cidade”. Estava fechado no dia da minha visita por conta do clima hostil, mas fica a dica: Chez Alain Miam Miam. Baguettes, aliás não poderiam ficar fora desta lista. No edifício reservado à gastronomia na tradicional Galeries Lafayette peguei sem olhar, e sem arrependimentos, uma das que estavam na gôndola ao lado dos caixas. Crocante por fora, lindamente alveolada por dentro, garantiu um café da manhã de respeito depois de aquecida e coberta com um centímetro de manteiga.
A baguette fatiada, servida em uma cestinha, como também fazemos por aqui, é a primeira a chegar à mesa dos bouillons — estabelecimentos onde se come decentemente, e a preços módicos, entre paredes de salões que ostentam a mesma decoração há pelo menos 100 anos. Recomendo fortemente três deles: Bouillon République, Boullion Julien e Boullion Chartier.
E o que dizer do brioche? É ele a estrela de alguns dos lanches mais buscados na cidade, como o sanduíche de lagosta do Homer, tão delicado quanto suculento graças, essencialmente, à fofura do pãozinho que abraça a lagosta temperada com maionese e arrematada com uma farta camada de ciboullete. Na Melt Deli, a experiência fica ainda mais espetacular com o pão de brioche combinado à carne de porco defumada e desfiada bem fininha ou ao pastrami produzido na casa. E é ele, o brioche, que faz do Croque Monsieur do café do Palais de Tokyo a melhor pedida do balcão.
Chocolates e frutas são jóias comestíveis
Além do território da pâtisserie, chocolates finos, frutas confitadas e, depois, glaceadas, e macarrons abrilhantam as vitrines das lojas de doces com status de jóias comestíveis. Parisienses são loucos por chocolate, a ponto de adicioná-los a vários pães folhados inclusive. Nada mais justo, portanto, que destacar o produto a altura do desejo dos consumidores.
Uma das vitrines mais estarrecedoras da cidade é a da boutique do chocolatier Patrick Roger, conhecido como o “Rodin do Chocolate”. No dia em que passei na frente da loja, dei de cara com uma tartaruga gigantesca esculpida com lascas do mais puro chocolate. Ao lado da obra de arte comestível, caixinhas de bombons exibidas como uma coleção de anéis de brilhantes.
Na tradicional loja de doces À La Mère de Famille — que ostenta o título de a mais antiga de Paris, fundada em 1761 — o praliné estrela as produções da casa, vendido em barras e bombons. Por ali também é possível encontrar um bom sortimento de frutas confitadas e lindamente glaceadas, além de biscoitos finos vendidos em embalagens lindíssimas.
E para quem não resiste à paleta de cores e sabores dos macarons franceses, uma das muitas lojas da Ladurée espalhadas pela cidade é parada obrigatória. Desde 1930 a marca vende os icônicos biscoitos de amêndoa com ganache criados pelo confeiteiro Pierre Desfontaines.
A relevância da pâtisserie e sa viennoiserie francesas é tamanha que não seria exagero colocá-la no ranking das atrações culturais imperdíveis na capital francesa. Se os salões dos museus exibem a história ilustrada em pinturas, desenhos e esculturas, as padarias e doçarias parisienses contam uma história de costumes que pode ser chamada, sem exageros, de arte.
Onde comer essas delícias todas em Paris
Café du Palais / Palais de Tokyo:Palais de Tokyo, 13 Avenue du Président Wilson, 75116, Paris; Bouillon République: 39 Boulevard du Temple, 75003 Paris; Boullion Julien: 16 Rue du Faubourg Saint-Denis, 75010 Paris; Boullion Chartier: 59 Bd du Montparnasse, 75006 Paris; Galeries Lafayette Le Gourmet: 35 Bd Haussmann, 75009 Paris; Homer Lobster: 5 Rue de l’Ancienne Comédie, 75006 Paris; Ladurée Marais: 45 Rue Vieille du Temple, Paris. 75004; À La Mère de Famile: 35 rue du faubourg Montmartre, Paris; La Petite Manis: 136 Rue Saint-Honoré, 75001 Paris; Marché des Enfants Rouges / Des Enfants du Marché / Chez Alain Miam Miam: 39, rue de bretagne, Paris; Melt Deli: 20 Rue des Halles, 75001, Paris; Patrick Roger: 43 rue des Archives, 75003, Paris; The French Bastards: 181 Rue St Denis, 75002, Paris
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