No Midi Forneria Enoteca, pães de fermentação natural valem a visita
Juro que só saí para almoçar com uma amiga. Porém, entre espiar o menu e espiar o ambiente, baixou aquela sensação de “o que estou fazendo aqui?”.
Não era saudade do Mimo, restaurante que ocupou o espaço anteriormente – embora eles tivessem uma coxinha memorável. Eram as paredes turquesas, as louças combinando demais com os objetos de decoração e os quadros repetidos, como se comprados no fim de estoque, insistindo em irritar.
Tudo parecia desandar: a carta de vinhos, com mais de 200 referências, privilegiando tintos, embora grande parte das receitas peça brancos, rosados ou laranjas. O menu, fazendo uma salada entre Itália, Espanha, França, Turquia, Líbano e Marrocos para se autointitular mediterrâneo, não colaborava. No entanto, o Midi Forneria Enoteca me ganhou. Ou foi a Juliete Pereira?
Até o final de 2018 a jovem garçonete encarava os até 14 mil clientes diários na Casa do Porco, mas, com a segunda gravidez e a alternância entre enjoo e desejo dos pães doces da madrasta, decidiu desacelerar.
A madrasta veio de São João do Paraíso, no Norte de Minas, para dar uma força. “Ela fez, mas ficava achando que não ia crescer, porque em Minas a gente coloca no telhado, debaixo do sol pra crescer rápido e assar, mas aqui só chovia”, conta.
Momentaneamente, Juliete matou a vontade e tentou aprender a receita para futuras emergências, “Só que era difícil reproduzir o que era feito no olho. Ainda mais para mim, que conseguia nem fazer bolo sem solar”. Sabe-se lá como, ela ouviu falar de fermentação natural. “Me joguei no YouTube” e foi abduzida pela panificação.
A pandemia, logo depois, cravou a vocação, garantiu uma clientela fiel e o nascimento da Padaju (@padaju_). Toda essa história para dizer que, sem querer, é a padaria caseira da maître do Midi que justifica o Forneria no nome do lugar. Mais do que isso, traz alegria e qualidade ao cardápio.
Campeão de vendas entre as entradas, o gazpacho de melancia com crudo de camarão (R$ 49) chega com a focaccia quentinha da casa — quer dizer, da Ju. Embebida na sopa leve e alhuda, a focaccia agrada mais do que o tartar em si.
Os bocadillos de lulinha empanada ou de salpicão de camarão com ovas de peixe-voador (R$ 39 cada) também acertam. Os buns, macios e levemente adocicados, vêm tostados e, sem o excesso de manteiga e ovos de um brioche tradicional, não roubam o sabor do recheio.
As pizzas, com assinatura Padaju, têm massa de longa fermentação, não se pretendem napolitanas e fazem sucesso à noite. Já os toasts (como o sourdough com figo, coalhada, mostarda de Cremona e pecã, R$ 52), brilham no brunch de domingo.
Nessas manhãs, com massa de brioche, Juliete prepara babka de chocolate e castanha, servida em fatias com calda de chocolate (R$ 14), e cinnamon roll, que ganha um creminho de ricota (R$ 14). A mesma base vira misto quente de forno, com queijo mandalinha e presunto royale (R$ 36). Já o pão rústico sustenta o sanduíche de pastrame feito pelo marido da Ju (R$ 49).
Aviso: o pão de azeitonas, assado a lenha e servido com manteiga de ervas (R$ 16), é um perigo — mas menos indecente do que a rabanada (R$ 38), que poderia ser mais alta para equilibrar melhor a generosa camada de caramelo salgado.
Midi Forneria Enoteca
R. Caconde, 118, Jardim Paulista. Qua. a sex., das 12h às 15h e das 19h às 23h; sáb., das 12h às 16h e das 19h às 23h; dom., das 09h às 17h. Tel.: (11) 3885-9930. Mais: @midiforneriaenoteca
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