Críticos internacionais miram os vinhos brasileiros
O britânico Tim Atkin MW lançou nesta semana seu primeiro relatório sobre os vinhos brasileiros, com a avaliação de 215 rótulos nacionais. Deu notas altas – a pontuação máxima foi 95, em uma escala de até 100 pontos, para quatro vinhos, o DNA 99, safra 2022, da Pizzato, e o Merlot Barricas 2022, da Berkano, nos tintos, e o Blanc de Noir Brut 2021, da Cave Geisse, e o Ouro Extra Brut, da Don Giovanni, nos espumantes. O guia de Atkin também colocou no pódio, com 12 categorias (veja no final do texto), os enólogos Daniel Dalla Valle, da Casa Valduga, como enólogo do ano; Eduardo Strechar, da Cata Terroirs, como jovem enólogo do ano, e Flávio Pizzato, da Pizzato, como enólogo lendário.
A aposta de Atkin ao lançar este relatório aponta o crescimento da relevância do Brasil no mercado do vinho. O crítico, hoje, é uma das únicas 422 pessoas no mundo que pode adicionar as duas letras mágicas (MW) a seu sobrenome, a abreviatura de Master of Wine, um dos títulos mais difíceis e cobiçados deste segmento. Seus reports, de grande influência no exterior, são conhecidos por indicar tendências e pelas análises precisas do mercado avaliado, com foco no consumidor europeu. Até então, os vinhos brasileiros eram avaliados apenas pelo crítico chileno Patrício Tapia, que incluiu os nossos rótulos a partir da edição de 2015, do seu guia Descorchados.
O guia brasileiro chega ao mercado 15 anos depois de Atkin lançar a sua avaliação dos vinhos da África do Sul, o que faz anualmente deste então, e também de mercados como Rioja e Ribera del Duero (seu trabalho tem um foco grande nos vinhos espanhóis), Argentina e Chile, relatórios que foram lançados nos anos seguintes. Em suas 50 páginas, destaca vinícolas e vinhos já bastante conhecidos dos brasileiros – a maior surpresa são os brancos da Cata Terroirs, de Santa Catarina, e o enoturismo da Floppa & Ambrosi, da Serra Gaúcha. A maioria dos grandes produtores estão premiados, como Aurora, Nova Aliança, Casa Perini, entre outros.
“Este é o momento para o mundo olhar o Brasil não apenas com um mercado atrativo para a venda de vinhos, mas como um país produtor, com sua própria identidade, sistemas consolidados e uma história que merece ser contada”, escreve Gabi Zimmer, a especialista uruguaia que assina o report. Gabi degusta com Atkin desde 2021 e, em 2024, assinou a primeira edição do relatório sobre os vinhos uruguaios.
Para essa edição, ela veio três vezes ao Brasil no ano passado, em degustações organizadas pela Wines of Brazil. O modelo é o mesmo que Atkin criou para os demais países: em alguns, como os citados acima, ele mesmo prova os vinhos, em outros, delega para degustadores parceiros. “O projeto seguiu o modelo editorial independente dos informes de Tim, com as avaliações e críticas acontecendo com total autonomia crítica”, afirma Gabi para o Paladar.
A diversidade brasileira é bastante destacada no relatório. Há ênfase nas três formas de viticultura praticadas por aqui – a tradicional, como acontece no sul do Brasil; a tropical, com as várias podas realizadas no Nordeste, e a poda invertida, que acontece em regiões do Sudeste e do Centro Oeste, com a colheita no inverno. “O desafio internacional é comunicar a diversidade brasileira com clareza”, conta Gabi.
E entre os dez pontos que ela elenca sobre os nossos vinhos está no método charmat longo, de segunda fermentação dos espumantes em tanques, como diferenciação, e a nossa afinidade com os vinhos de estilos mais doces, e o papel fundamental do suco de uva no mercado.
O Pódio
(os destaques do Brazil 2026 Special Report)
Enólogo do ano: Daniel Dalla Valle, da Casa Valduga
Jovem enólogo do ano: Eduardo Strechar, da Cata Terroirs
Enólogo lendário: Flávio Pizzato, da Pizzato
Melhor experiência: Floppa & Ambrosi
Vinho tinto do ano: Pizzato DNA 99 2022, da Pizzato
Vinho branco do ano: Gran Cata Alvarinho 2022, da Cata Terroirs
Vinho rosé do ano: Fração Única Rosé Pinot 2025, da Casa Perrini
Espumante do ano: Ouro Extra Brut, da Don Giovanni
Tinto custo-benefício do Ano: Cerro da Cruz Assemblage 2022, da Nova Aliança
Branco custo-benefício do Ano: Chardonnay Pinto Bandeira 2025, da Aurora
Rosé custo-benefício do Ano: Tannat Rosé 2024, da Nova Aliança
Espumante custo-benefício do Ano: Ouro Brut, da Salton
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