Como é comer na melhor cafeteria do Brasil?
Do quarto de infância de Gabriel Penteado nasceu a melhor cafeteria do Brasil segundo o The World’s 100 Best Coffee Shops. O Cupping Café fica na parte da frente da casa de seus pais e, quando o mundo da arquitetura deixou de fazer sentido para Gabriel, ele decidiu seguir o sonho de empreender.
“Eu sou arquiteto, trabalhei dez anos no ramo e chegou um momento em que fiquei incomodado com a rotina CLT. Então, decidi empreender. A princípio, pensava em ter franquia, alguma loja de chinelos, de cerveja, mas não era nada de café, até que foi. Quando decidi abrir um negócio, combinei com meus pais de reformar a casa e ficar com a parte da frente - era meu antigo quarto, inclusive”, diz Gabriel.
Quando a ideia de trabalhar com café surgiu, estudou mais sobre e decidiu que franquia não era a saída, mas sim uma casa autêntica. Foi assim que a história do Cupping começou, com sua vasta oferta de cafés especiais, com algumas comidinhas que nem eram feitas na casa.
Um tempo depois da abertura, Gabriel conheceu Mayara Kelly. Hoje, ela é confeiteira da casa e sabe muito bem fazer cafés. À época, era engenheira e não sabia muito sobre o grão, só sabia que gostava de beber a bebida. Até que entrou na área de administração da casa e decidiu que não tinha como trabalhar lá sem colocar a mão na massa.
Experimentando o dia a dia atrás do balcão, Mayara passou por um desafio: o fornecedor de banana bread parou de entregar. A solução? Ela mesma virou a confeiteira e não parou nessa receita, começou a fazer mais bolos e doces diversos. De engenheira, a administradora, a confeiteira. E não largou mais.
A partir daí, o Cupping foi se tornando uma casa quase que totalmente artesanal, sempre com opções veganas.
Os cafés do melhor café do Brasil
“A gente nunca trabalhou com blend justamente para a gente manter o DNA de cada café”, diz Gabriel. No Cupping, cada pacote de café carrega dentro de si um grão específico, com suas características mantidas e um perfil sensorial claro, incluindo cafés bem diferentes entre si, para apresentar aos clientes.
“Quando a gente trabalha com o single origin, que é o café de origem única, você trabalha valorizando o produtor, a fazenda, a região, etc.“, diz ele.
Mayara destaca que “todos esses anos a gente sempre colocou cafés para todos os gostos”. Ou seja, uma pessoa que quer tomar um café do dia a dia, pode entrar ali, bem como alguém que gosta de maior acidez, que quer descobrir diferentes tipos de grãos e terroirs, aventurando-se ou não, conhecendo café ou não.
É possível acompanhar quais regiões estão contempladas durante a visita no quadro que indica as variedades disponíveis em loja. Quando Paladar passou por lá, cafés mineiros, grãos baianos e capixabas estavam na lista. Além desses, os cariocas brilham na vitrine desde o início da cafeteria.
É só escolher o grão, levar para casa ou provar com os métodos cinco métodos disponíveis (R$ 14, individual, R$ 20 para duas pessoas), entre eles aeropress, hario v60, prensa francesa, clever e koar. Também é possível pedir espresso (R$ 9), capuccino (R$ 16, o médio), mocha (R$ 18) e irish coffee (com uísque, R$ 26).
Entre doces, salgados e vitrines
Do ladinho da grande, vistosa e personalizada máquina de café importada, uma vitrine da casa está recheada de produtos doces e salgados. Entre eles, o bagel de gergilim preto recheado de cream cheese, salmão, alcaparras e picles de cebola (R$ 49), que tem gostinho de delicatessen nova-iorquina, ou com pasta de ovos e tomate cereja (R$ 28).
Nos doces, vale apostar no banana bread com frutas (R$ 14, fatia, R$ 60, inteiro), cinnamon roll (R$ 17), pudim (R$ 15) e o “muffing no-no”, com chocolate belga vegano e sem glúten (R$ 16).
Para beber, também há cafés gelados, chás e outras bebidas.
Quando no Cupping, o que beber?
Se você é um marinheiro de primeira viagem, Mayara indica que comece por um coado. “Já é uma porta de entrada para a pessoa a conhecer o café especial. Querendo ou não, o espresso já tem mais um pouco daquela pancada de sabor, enquanto os gelados são muito pedidos, mas já são muito diferentes. Acredito que o coado seja a melhor opção no primeiro contato com cafés desse tipo.”
Na dúvida, pergunte ao barista e ele te direcionará para o seu perfil ideal. É dica sem palestrinha.
A ascenção da cafeteria no ranking
Em 2025, a primeira edição do ranking já havia colocado o Cupping entre os melhores do mundo, mas na posição 92. Hoje, em 81º, ganha ainda mais notoriedade e o orgulho de quem fez por merecer.
“Eu sempre fiz o meu melhor, sempre procurei fazer um lugar que eu acreditasse que trabalhava com excelência. Sempre foi esse o nosso propósito, que entregasse uma não só o o produto, o café, mas toda a experiência de excelência na qualidade, queria que o cliente recebesse o que eu gostaria de receber”, destaca o sócio.
Atualmente, os objetivos dos sócios são investir em mais variedades de café, bem como seguir aprimorando a confeitaria. O treinamento da equipe também foi um dos pilares do último ano, desde o primeiro destaque na lista internacional. “Bastante pontos para melhorar a experiência do cliente, que é o nosso grande objetivo”, diz Gabriel.
A importância do ranking? Para ele, é o fato de que coloca em evidência uma batalha antiga da dupla. “A gente sempre batalhou muito pelo café brasileiro. os cafés mais complexos, interessantes, sempre foram para fora do País. Então, quisemos sempre trazer o melhor do café brasileiro para o brasileiro, mostrar que o café pode ser muito mais do que aquele que já se está acostumado. Trabalhamos com uma evolução do paladar brasileiro. Já sabemos que somos grandes produtores, agora esse entendimento deve chegar na ponta da cadeia.”
“A nossa meta é que uma maior parcela dos brasileiros tenha acesso ao café de qualidade”, conclui.
Serviço
@cuppingcafe
R. Wisard, 171 - Vila Madalena
Terça a sábado, das 10h às 18h, e de 9h às 17h, aos domingos
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